Sentei à frente do teclado querendo lhes dissertar sobre algo contundente e atual, nada me veio à mente a não ser meus próprios problemas, súbito me lembrei do conto de Narciso, que hipnotizado por sua própria imagem morreu afogado em seu próprio egocentrismo. De tantos acontecimentos infelizes na nossa sociedade, ao longo deste texto, fui me apercebendo de um velho perigo, tão pouco notado por nós...
"O maior monstro de mim sou eu !"
Se o homem mata e assalta seu semelhante, se os iraquianos são massacrados e massacram no oriente médio, se o miserável à minha porta cambaleia de frio e de fome, que papel tenho eu nisso tudo?
O que faço da minha pretensa liberdade? e quanta liberdade realmente tenho, se vivo alheio a estas verdades.
Sei que parece muito "caxias" e até mesmo enfadonho para muitos amigos meus, mas quem sabe isso não seja mais do sintoma narcisista? uma vez que o mesmo tende naturalmente a achar feio o que não é espelho.
Uma vez um gestor sob o qual eu estava subordinado me disse que em tudo se está envolvido. Não quero com isso simplesmente remeter as teorias holísitcas que afirmam que tudo está interligado, nem tampouco chover no molhado com a teoria estruturalista de Amitai Etzionni e tantas outras como a Teoria Gaia, mas de fato meus amigos! contra fatos não existem argumentos.
Pensei também no inglês Robert Louis Stevenson e seu célebre conto "O médico e o Monstro" em que, através de seus estudos de medicina transcendental, o homem consegue transmutar seu corpo entre sua personalidade normal, Henry Jekill, e seu lado negro e obscuro, Mister Hyde.
O homem vive consciente de sua eterna responsabilidade como ator social e nega, apoiado no coletivo social, sua significativa parcela de contribuição, é como uma criança que não ganha a bicicleta no final do ano e culpa severamente seus pais, por não querer admitir que o prêmio esperado não lhe foi entregue por falta de mérito próprio e sim por malevolência dos seus tutores.
Percebi então que o que realmente me assusta não são os assassínios dos noticiários, nem tampouco a falta de tolerância e muito menos os desmatamentos da Amazônia e suas terríveis consequências ambientais. Mas os Hydes da vida que se escondem em nossa alma, por trás do pano de nossa vaidade , nos impedindo de crescer como homens e nos transformando cada vez mais, em culpados e infelizes anões morais
Queridos pensem nisso...
autor: Heverton Soares



